Andrisa

Depois de um longo e tenebroso inverno. Depois de 6 meses de pesadelo ininterrupto. Depois de tantos caminhos tortuosos que quase me fizeram perecer. Depois de tempos de trevas terem se abatido sobre a minha vida, onde o infortúnio, a incerteza e a angústia imperavam, eu volto a perceber as cores dos jardins floridos e a luz branca do sol da manhã. É impressionante, quando estamos obcecados por alguma coisa, da maneira que eu estive, a cegueira toma conta de nossos olhos. O silêncio domina nossos ouvidos e a amargura corrói o coração. Então a gente não consegue mais ver, sentir, ouvir nada com clareza e temos certeza que chegamos ao fim da linha. Mas acredito que tudo tenha um motivo. Acho que tudo que passei foi absolutamente necessário pra me conduzir a uma nova forma de viver e amar. Agora, eu conheci o amor puro. Conheci a felicidade real e não apenas a euforia. Conheci o amor verdadeiramente fraternal. Agora eu amo a alma de alguém e não somente o corpo e o rosto, que aliás são lindos e eu amo também. Mas amo, sobretudo, as idéias e as divagações. Estou experimentando a sensação de amar e confiar. E também a sensação de poder entregar-me sem medo, tamanho é o bem que esta mulher me faz. Então eu me quedo sereno, pensando, nesse solzinho gostoso das tardes de outono. E o sorriso não sai dos meus lábios. Um pensamento leve e reconfortante não sai da minha mente. Então eu a vejo novamente vindo em minha direção. Abro um grande sorriso e os braços para recebê-la com todo o carinho que ela merece. Seu nome é Andrisa. E eu a amo como nunca amei.