Enquanto o Mundo Explode


Sexta-feira , 24 de Março de 2006



Discurso de um puxa-saco que ganhou na loteria

No meio da palestra um homem franzino e com grandes óculos de armação espessa e preta sobe à tribuna e urra a um fôlego só:

Seguinte: eu não tô ligando a mínima pra o que falam ou pra o que deixam de falar sobre mim, tá ligado? Eu quero mais é que esse mundo, vocês todos vão é se fuder, porque na hora do pega pra capar ninguém veio em meu auxílio. Estou por aqui com vocês! Não quero saber de ninguém mais. O que eu quero é sair por aí sem precisar dar satisfação pra ninguém sobre o que eu faço ou eu deixo de fazer. E isso, meus amigos, quer dizer meus FALSOS amigos, eu já estou cansado de fazer! Entenderam?! CANSADO! Não dou bola pra nenhum pensamento que possam ter a meu respeito, eu não quero nem saber. Eu vou em frente e mando bala. Eu faço o que eu quero, tá ligado? Vocês podem me criticar, dizer que sou megalomaníaco e que me acho suficiente. Digam qualquer coisa! Mas não encham o meu saco querendo ser meus amigos, ok? Eu não tenho nenhuma pretensão de fazer nenhum amigo novo pelos próximos 1000 anos! Vocês ESTÃO ligados?! Eu quero mais é torrar a minha grana sozinho. Totalmente livre e independente para fazer o que eu bem entender. Se eu quiser pagar um travesti para me comer, se eu quiser jogar mil reais na privada e dar descarga, se eu quiser tocar fogo numa maleta recheada de doletas, e daí? Alguém por acaso tem algo a ver com isso? Alguém tem?! Claro que não porra! Essa é a tal liberdade que tanto afirmam existir no Ocidente? É? Gozado é que nesse momento não aparece nenhum machão para responder, não aparece ninguém com peito o
suficiente para me contestar. Seus merdas!

Mostrou a língua, a bunda e entrou na sua nova limousine.

Escrito por Edu Beckandroll às 02h33
[ ] [ envie esta mensagem ]

Segunda-feira , 20 de Março de 2006



Meu Amigo Pato

De como um pato escapou da morte pela intervenção de um bêbado com bom coração

Era uma dessas tardes agradáveis demais, com temperatura amena, sol radiante e gostoso que estimula a prática esportiva e a convivência alegre e saudável com os amigos.  Pois neste dia, numa pequena cidade do sul do Brasil, um pequeno grupo de amigos resolveu dedicar aquele belo dia de descanso e farra ao futebol e à beberagem.

Sim!, pois é muito comum que os grupos de amigos reunam-se para beber e praticar esporte, por mais que os velhos rabugentos e obcecados pela boa saúde esbravejem e vejam nisto uma incoerência monstruosa. Ora! Mas que graça há em praticar o velho esporte bretão se não houver umas doses a mais na cuca? Ao meu ver, nenhuma graça, afinal o álcool conforta o espírito, alegra as conversas e transforma as partidas amadoras de futebol na mais estupenda final de copa do mundo.

Posto que estava tudo planejado acerca do jogo e do que iriam beber, passaram a conferenciar sobre o que preparariam para o jantar, pois era claro que após tanto esporte e tanta bebida seus estômagos estariam praticamente colados às costas e seria necessária uma refeição vigorosa e nutritiva para coroar de êxito este belo dia de diversão e camaradagem. Decidiram-se finalmente de que o banquete seria composto de uma bela carne de pato acompanhada de arroz e saladas. Ah! Que maravilha, mal podiam esperar o final do jogo para saborear esta pantagruélica e nababesca confraternização entre amigos bêbados.

Mas logo fez-se claro um pequeno problema: a carne do pato é muito dura, então era mister a intervenção de algum dos membros da equipe com o objetivo de fazer o pato beber algumas doses de aguardente para que sua carne fosse amolecendo aos poucos e que na noite, na hora de ser assado e servido, estivesse macia e suculenta como o mais delicioso manjar divino. Puseram-se novamente a conferenciar e democraticamente incumbiram um dos rapazes desta nobre e importante função: embebedar o pato, que alheio ao que se planejava contra si, teria sua carne amaciada e em condições de ser servida para jogadores bêbados, cansados e famintos.

Como todos os detalhes estavam resolvidos a turma dirigiu-se ao campo, entre cantorias, beberagens, algazarras e firulas, enquanto o rapazote diligentemente punha-se a executar sua tarefa.

Como se estivesse um pouco entediado resolveu acompanhar o pato na bebedeira. Abria o bico do pato, jogava um pouco de cachaça lá pra dentro e bebia também um grande gole para acompanhar o bicho. E este ato, consciencioso que era o rapaz acerca de sua nobre missão, repetiu-se dezenas de vezes, enquanto a partida de futebol desenrolava-se não muito longe dali e a imagem do pato sendo servido não saía da mente dos bravos jogadores.

As horas se passaram e como os jogadores a esta altura já estavam famintos e desejando repousar, decidiram então encerrar a partida e rumaram  com os passos firmes até o pequeno local no qual seria servido o delicioso pato. Ao chegarem à casa, logo estranharam, pois o rapaz estava sumido e o pato, que neste momento já deveria estar saindo do forno, estava na realidade totalmente intoxicado pelo álcool que bebera, vomitando e defecando a cada dois passos, completamente zonzo e sem moral.

Uma cena deprimente, o pato completamente arrasado pelo álcool.

Nisto, alguns mais impacientes já começavam a soltar grandes e graves impropérios em relação ao rapazote que não havia cumprido sua missão e ainda por cima desaparecera. Estavam todos famintos e houve um princípio de motim entre os rapazes, exigindo que o pato fosse assado imediatamente. E isto causou uma espécie de frenesi entre o grupo e um dos rapazes dirigiu-se ao pato com o intuito de pegá-lo o mais rapidamente possível para logo vê-lo no fogão.

Então, naquele momento, desfez-se o mistério do desaparecimento do rapaz encarregado de inebriar o pobre pato:  ao perceber as intenções funestas de seus companheiros em relação à pequena ave, saiu do banheiro onde recuperava-se do porre e falava com o ar mais convicto e sério do mundo:

- Ninguém bate no meu amigo!

E pôs-se a abraçar, acariciar, beijar o pobre patinho, diante do olhar estupefato e incrédulo de todos os seus companheiros. Os companheiros em vão tentaram argumentar,  o jovem repetia categoricamente que ninguém ousaria tocar no seu amigo e com os olhos marejados sensibilizou a todos os bêbados jogadores, que contentaram-se em comer arroz e salada e até passaram a achar muito gracioso o pequeno patinho.

E foi assim que este pequeno e afortunado pato escapou de uma inglória e degradante morte no forno, graças a amizade de um bêbado com bom coração. E por anos e anos os dois ainda tomaram muitos porres juntos.

Escrito por Edu Beckandroll às 03h14
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Homem


eXTReMe Tracker