Com satisfação apresento um texto do meu querido amigo Guaraci Montenegro. Apesar de ser literatura "menino-moço" como define o próprio autor, ela figura aqui nesse blog maldito.
Casa Grande, Senzala e Sidney Magal
por Guaraci Montenegro
Era um Domingo de churrasco lá em casa, prestigiado pela visita de TIOZÉ e sua mais nova candidata a esposa. TIOZÉ era uma espécie de celebridade na família, o homem que venceu na vida por meio de uma brilhante carreira na polícia militar. Era chamado de "O Major", o que sempre me soou como um título de nobreza.
As namoradas do TIOZÉ eram um espetáculo à parte, belas damas de "bom nível" que ele trazia pela mão até nossa presença deslumbrada. Quem poderá esquecer da Sandra, a ex-modelo de 1,85 que andou pelo mundo inteiro? E Ana Paula, a "Aninha" dos olhos violetas, tão jovem e promotora de Justiça? A vida amorosa do TIOZÉ daria um grande livro. Um calhamaço de crônicas.
Vilma, a Arquiteta, era um mulherão de pele claríssima e fartos cabelos negros. Com seu inesgotável sorriso, logo conquistou a todos, principalmente vovó, para quem até exibiu um pouco do seu francês. Quem poderia negar seu carisma, vendo-a dançar, contar piada e "confessar-se" colorada? Na hora do almoço, após elogiar a salada de maionese da vovó, resolveu contar um pouco das suas aventuras de adolescente, no finzinho da década de 70. Como toda mulher madura e bonita, ela não temia sua idade. Então perguntei se ela não delirava com o Sidney Magal, figura que eu julgava muito interessante, e que tivera seu auge naquele período. A resposta dela me desconcertou.
- Ah, não, de jeito nenhum. Sidney Magal era brega e a minha turma não podia ser brega. Quem delirava era a empregada.
Todo mundo riu.
Mais tarde, saboreei o inusitado de o velho Sidney Magal me haver remetido a Casa Grande e Senzala, o clássico de Gilberto Freyre. A música da Casa Grande não era a mesma da Senzala, como a Vilma deixou bem claro, do mesmo jeito que as crianças dizem verdades terríveis. O que não a impediu de, pelo menos lá em casa, tentar sambar ao som do Agepê.
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