Enquanto o Mundo Explode


Sexta-feira , 25 de Fevereiro de 2005


notas malditas

Severino, seu viado enrustido

A única explicação possível para a implicância do novo presidente da Câmara com a união homossexual é que ele, por ser católico fervoroso, não pôde casar com um homem e agora não quer que ninguém mais case. Só pode ser isso!


Eu, hetero

Eu , beckandroll marmita da silva, brasileiro, heterossexual, não tenho nada contra, absolutamente nada contra a união de duas pessoas do mesmo sexo. Não é porque eu não gosto de pica que vou querer proibir os outros de gostar.


TVE

É verdade, praticamente não assisto TV. Em grande parte pela burrice que campeia desenfreada pelos canais. Mas ainda existe vida inteligente na TV brasileira, meus amiguinhos! Nas noites de Quinta-feira, na TVE, mais precisamente à meia-noite está passando um programa ótimo: Contos da Meia-Noite. Grandes atores interpretando grandes contos. Confiram. Ontem foi a vez de Giulia Gam, interpretar visceralmente o conto Quando Hermengarda Sofre, de Sergio Viotti.


Bandas gaúchas

A MTV uma vez a cada mil anos dá uma dentro. Dessa vez o projeto que tá rolando é do acústico MTV/Bandas Gaúchas, reunindo no mesmo disco Cachorro Grande, Wander Wildner, Ultramen e Bidê ou Balde. Será do caralho, posso adiantar-lhes meus caros. O disco será gravado em Sampa nesse final de semana e seu lançamento está previsto para maio. Fiquei tri faceiro ao ver que no set list da Cachorro Grande estará a música Dia Perfeito. Será memorável. Cada banda tocará cinco músicas.


Brazilian samba star versus Camaleão do Rock

O nosso queridíssimo Seu Jorge, que eu conheço desde os tempos do Farofa Carioca, verteu 20 músicas do David Bowie para o português, tudo feito sob encomenda para o filme Vida Marinha, que deve estrear em 20/05/2005 no Brasil. Ouvi a versão para Life on Mars? e simplesmente delirei. A música já é bela em sua versão original e Seu Jorge, do alto de sua rara sensibilidade musical, conseguiu deixá-la ainda mais linda, quase me levando às lágrimas com sua interpretação, em português, acompanhado somente por um violão. Coisa linda.


Marca-Texto: "Já somos o esquecimento que seremos, a poeira elementar que nos ignora, que não foi Adão e que é agora todos os homens. Somos apenas duas datas: a do princípio e a do término. Não sou o insensato que se aferra ao mágico som de seu próprio nome. Penso com esperança naquele homem que não saberá o que fui sobre a terra. Abaixo do indiferente azul do céu, esta meditação é um consolo." – Jorge Luís Borges, importante escritor argentino.

Escrito por beckandroll, um homem do povo às 17h28
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Quarta-feira , 23 de Fevereiro de 2005


Tem "gato por lebre" na internet

Textos muito ruins vêm sendo atribuídos a autores célebres na rede

A internet pode salvar as almas ou condená-las às labaredas eternas do inferno. Isso só vai depender daquela pecinha fundamental que se localiza sentada na cadeira e em frente ao monitor.

Atualmente, sobretudo entre os mais jovens, a internet é o mais importante meio de acesso a informações disponível no mercado. Representa pra essa nova geração o que pra minha foi a TV, guardadas, logicamente, as devidas proporções e isso sem falar que o máximo de interatividade que a TV permitia na minha época era levantar no meio da noite fria pra mudar o canal.

Ah! isso era terrível...

No entanto, por ser esse universo maluco, repleto de informações sem nenhum controle (ainda bem!) e gerenciada pelos próprios usuários que, através de blogs, grupos de discussão e emails colocam toda e qualquer coisa na rede, desde fotos de mulheres grávidas levando jatos de urina até receitas de bombas caseiras, a internet nesse aspecto se apresenta como uma faca de dois gumes. Juntamente com todo o avanço da circulação da informação, rapidez e praticidade de comunicação que ela traz, também estamos sujeitos, nós os usuários da rede, a ignorantes ou pessoas mal intencionadas, que divulgam textos medíocres atribuindo sua autoria a escritores sérios e renomados.

E pior, muita gente, por não estar familiarizada com os autores alvos desses engodos literários pode REALMENTE achar que se trata de um texto legítimo saído diretamente da pena do autor clonado.

Só pra ficar aqui no meu estado (RS) cito o Mario Quintana e o Luís Fernando Verissimo, duas grandes vítimas desses terroristas culturais. Do Quintana (pobre Quintana) já existe inclusive um clássico circulando pela net, que NÃO é de sua autoria. Um texto podre, má-literatura mesmo, intitulado "Felicidade Realista" que segundo consta é de autoria de uma gaúcha também, a jornalista e escritora Martha Medeiros, uma burguesa idiota e feminista que escreve pra idiotas burgueses afeminados, ou vice-versa. Compará-la ao Quintana é a mesma coisa que comparar a seleção de futebol do Burundi com a seleção brasileira (pra usar uma metáfora futebolística tão em voga nesses tempos de Lula lá).

Quintana  jamais escreveria coisas como "queremos sexo selvagem e diário"

Qualquer pessoa que tenha lido o Quintana e o Verissimo ao menos uma vez na vida percebe logo de cara que esses textos se tratam de um embuste, seja pela mediocridade elevada a décima potência que eles apresentam se comparados aos escritos desses dois mestres, seja por expressões ou temas completamente alheios a obra dos dois autores.

Fico preocupado imaginando a seguinte cena: o cara lê um texto desses de auto-ajuda atribuído ao Mario Quintana e pensa "porra, então essa bosta aí que é o Mario Quintana? Ah! vai se fuder, seu eu soubesse tinha ficado com meus livros do Paulo Coelho mesmo!"

Isso é terrível, porque se o carinha não vai atrás da cultura vocês podem crer que a cultura não irá atrás dele, e nesse caso o leitor pode formar um conceito equivocado sobre o autor.

Mas pior! Imaginem que o cara leia o tal texto e depois no meio de uma aula ou de uma roda de amigos ele queira dar uma de bambambam, impressionar uma guria qualquer e tasca: "como disse Quintana, tudo o que queremos é um corpinho sarado" Aí, meus amigos, complica mesmo.

Conta-se inclusive que numa formatura da qual o Verissimo era paraninfo ou coisa que o valha os alunos presentearam o escritor com um texto supostamente de sua autoria, apresentado numa encadernação bonita, caprichada. Detalhe: o texto não era do Verissimo, era mais um desses que circulam indiscriminadamente pela net. O autor muito polido e educado ficou quietinho e não disse nada pra não constranger os alunos que se formavam.

Realmente, seria phoda levar pra casa esse atestado de burrice logo no dia da formatura.

Verissimo tem um clássico da net chamado "Diga não às drogas" que não foi escrito por ele.

Escrito por beckandroll, um homem do povo às 17h59
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Domingo , 20 de Fevereiro de 2005


a porta

de repente a porta abriu. por ela um menino entrou. e tanto olhou nos meus olhos que eu já não sabia se eu era ele ou se era eu. uma nuvem de gafanhotos desceu bem em frente ao meu quintal. pareciam felizes, leves... o caminhão do lixo se aproximava e a temperatura era amena. um lindo dia sem dúvida. de repente a porta se abriu. e por ela eu pude ver o garoto que arremessava uma sacola para dentro das terríveis mandíbulas de aço do caminhão recolhedor de lixo. já era tarde e eu não pude fazer nada. nada... a explosão ocorreu cinco segundos depois. as vísceras, o sangue, os ossos... caíram quase todos por cima de mim. agora eu me encontrava em frente às cinzas. de repente a porta abriu. e não fechou nunca mais.

Escrito por beckandroll, um homem do povo às 19h18
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Quinta-feira , 17 de Fevereiro de 2005


 Mais um brilhante furo de reportagem do Enquanto o Mundo Explode (EOME), senhoras e senhores!

 Finalmente a caixa preta da seleção dos melhores do uol foi aberta e revelou seus segredos...

Com vocês...

COMO ENTRAR PARA A LISTA DE BLOGS LEGAIS DO UOL  

titio beckandroll conta um segredinho pra vocês

Esse blog maldito, esculhambado e odiado por hipócritas, mentirosos, puritanos, crentes, cretinos, caretas, preconceituosos, sem-vergonhas e afins, finalmente entrou na seleção de melhores blogs do uol! Depois de um ano de atividade praticamente ininterrupta (não fosse uma ou outra deletadinha) esse blog-esculacho penetra (opa!) na mais fina elite blogueira do uol (Urucubaca Online).

Pois é, caríssimos amigos, durante um ano inteirinho escrevi nessa birosca com o único e nobre intuito de ser desagradável, causar polêmica, irritar, torrar o saco de tudo e de todos, ou seja, esses pequenos prazeres da vida que tanto me agradam. Eis que agora me surpreendo com o nome do EOME estampado lá na página do Uol Blog. Maravilha! Abri o Outlook e havia um comentário, pensei cá com meus botões: "O QUÊ????? Um comentário??? Não é possível, ninguém comenta no meu blog!" Fui ver e era a minha querida Lariquinha, como vocês podem ver, me informando da novidade.

.

Mas beckandroll que é beckandroll sempre é movido por segundas, terceiras, quartas e até mesmo quintas intenções! (Olha o Georges Duroy ae gente!!!) Vou explicar como parei na listinha do uol. Como não poderia deixar de ser, arquitetei um plano maquiavélico e decidi que durante todo o mês de fevereiro indicaria duas ou três vezes por dia esse blog maldito como sendo um blog legal! Durante esse primeiro ano do blog nunca indiquei o meu blog nenhuma vez, quando muito, indiquei um ou dois blogs de coleguinhas blogueiros talentosos, nada além.

Mas algo me incomodava. Cada vez que saía uma nova lista de blogs legais eu ficava perplexo com a ruindade da maioria esmagadora deles. Muitos tinham apenas um ou dois textos publicados, muitas vezes nem isso, só imagens piscantes e talicoisa. Essa curiosidade de saber qual o critério de entrada de um blog na seleção dos blogs bacanas estava me corroendo, devorando a minha alma, eu já não conseguia mais pregar o olho durante noites e noites nas quais minha mente fervilhava tentando compreender, salvo raras exceções, como blogs tão ruins estavam sempre na listagem.

Bueno, como eu disse antes, eu indicaria o blog durante todo esse mês pra ver se ele entrava ou não entrava na lista. Entrou. Então, caríssimos, indicando duas ou três vezes por dia, durante 16 dias é mais do que suficiente para adentrar no rol da fama do uol. Em média, 40 indicaçõezinhas, o que não tomará nem meia hora do seu precioso tempo, servirão para colocar o seu blog entre os "melhores" do uol.

A aparição desse periódico nessa listagem não significa nada para mim e para o andamento do blog, aliás sou avesso a esse tipo de classificação e o pessoal que frequenta o blog há tempos sabe disso. Quem poderá dizer qual blog é legal e merece maior destaque? O uol? Creio que não. Tudo aconteceu de forma muito simples, aliás foi um plano simples, um tanto quanto ególatra é verdade (mas todo blogueiro é um ególatra), apenas para satisfazer minha curiosidade incessante acerca do processo de seleção dos melhores blogs pela equipe do uol.

Aproveitando esse breve momento de maior destaque, convido os novos visitantes para uma passada de olhos em meu outro blog, no qual relato algumas histórias absurdas, sórdidas e inverossímeis, olha o endereço aí gente! http://beckandroll.zip.net

Como já é praxe no meio da comunidade blogueira do uol,  aí está a imagem comprovando a figuração desse jornalzinho de quinta categoria entre os melhores da vez.

Escrito por beckandroll, um homem do povo às 18h05
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Terça-feira , 15 de Fevereiro de 2005


Mais uma da série "as letras de beckandroll"

essa é do século passado, mais precisamente 1999

eu giro por ti

num dia quente de natal

me derreto por ti

esquecendo que não tenho nada

te proponho fugir

nesse calorão tremendo

o chimarrão fervendo, fervendo

a terra gira pro sol como eu giro por ti

a terra gira, gira, gira, gira

como hélice de ventilador

e a chuva que caiu depois só serve mesmo pra dormir

vem, vamos tomar um sacolé enquanto eu ponho minhoca

na tua cabeça

o sacolé derrete na calçada

espero que isso nunca te aborreça


Marca-texto:

"À medida que se suprime a exploração de um indivíduo por outro, suprime-se igualmente a exploração de uma nação por outra"

"A burguesia submeteu o campo à dominação da cidade... E tal como subordinou campo e cidade, tornou dependentes os países bárbaros ou semibárbaros dos países civilizados"

"O que demonstra a história das idéias senão que a produção espiritual se modifica com a transformação da produção material? As idéias dominantes de uma época sempre foram as idéias da classe dominante"

Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista, publicado em 1848

Escrito por edu beckandroll às 17h25
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Domingo , 13 de Fevereiro de 2005


As sutilezas


As sutilezas, meu amigo... as pequenas sutilezas... dizia ele pra mim entre uma dentada e outra naquele gorduroso sanduíche de queijo e salamito. Eu respondia que era uma pena tão pouca gente perceber essas pequenas sutilezas da vida e da literatura, como ele gostava tanto de frisar. Então ficávamos nós dois quedados no mais profundo silêncio, num vácuo de conversa que às vezes se prolongava por intermináveis  e adoráveis minutos. Levantei e peguei outra coca-cola no balcão, não havia a coca normal, somente a versão light lemmon. Manda essa mesmo, falei, lembrando ao garçom que colocasse várias pedras de gelo no copo. Voltei à mesa e descobri que meu amigo fora ao banheiro, mal sentei ele retornou e conversamos animadamente por um bom tempo. Ao final de uns 60 minutos lembrei-me de que deveria partir logo pois havia firmado compromisso de comparecer a uma reunião na casa de meu irmão. Depois das tradicionais e intermináveis despedidas fui até o apartamento de meu irmão. Chegando lá me deparo com inúmeras pessoas, algumas conhecidas outras absolutamente estranhas para mim. Fui direto pra geladeira e peguei uma lata de ceva. Procurei, evidentemente, a que estivesse mais gelada, no entanto, estavam todas quentes. Aquele animal, mais uma vez (devia ser a centésima vez que ele incorria nesse erro) havia colocado as bebidas para gelar apenas a alguns instantes antes da minha chegada. Mas eu não estava afim de incomodar-me e não permiti que esse pequeno contratempo estragasse o resto da noite. Comecei a bebericar mesmo estando insuportavelmente quente a cerveja. Conversei com alguns estranhos e soube através de alguns outros, conhecidos, que se tratava de uma reunião muito importante. Meu irmão faria uma grande revelação. Fiquei sem entender mas logo esse fato deixou de ocupar minha mente e passei a admirar a beleza de uma guria que, recolhida a um canto escuro do apartamento, parecia estar com seus pensamentos muito longe dali. Olhei ao redor procurando meu irmão para questionar sobre a menina e como não o enxerguei tratei de me aproximar da pequena e fulgurante moçoila, que ainda não havia notado minha presença. Ofereci fogo ao perceber que ela sacava um maço de cigarros de dentro de sua minúscula bolsa. Sorridente, ela aceitou e agradeceu de maneira sincera minha solicitude e solidariedade tabagista. Como a menina não demonstrava o menor interesse em conversar comigo me afastei, alegando que necessitava dar um telefonema urgente. Caminhei até o outro lado do apartamento e me coloquei ao lado de um vaso do qual surgia uma enorme samambaia, verdejante e viçosa. Imaginei que estava sendo muito bem tratada e pensei que talvez nosso clima favorecesse seu pleno desenvolvimento. Nesse instante, no qual eu me encontrava perplexo diante da samambaia viva e alegre, meu irmão surgiu entre os convidados e solicitou a atenção de todos, gritando animadamente, gesticulando furiosamente, arregalando os olhos e soltando milhões de gotículas pela boca, que contra a luz, formavam uma espécie de arco-íris escatológico. Todos se postaram ao seu redor e devotaram a ele a máxima atenção e concentração. A ansiedade de todos era indisfarçável e pesava no ar, parecendo que a qualquer momento se cristalizaria no ar e cairia ao chão esfacelando-se em bilhões, trilhões de pequenos cacos, que poderiam entrar nos pés dos mais descuidados.  Meu irmão, que era um homem extremamente bem sucedido e pragmático iniciou seu belo e duro discurso. Pediu aos convivas que olhassem para mim e logo após começou uma sessão de desconstrução de minha personalidade que faria Baudelaire parecer um mero aluno do Jardim, envolto em ingenuidade e inocência angelicais. Impassível aguentei até o final da preleção e após estar concluída indaguei meu velho irmão se eu poderia me retirar, agora que eu já era sabedor de seus verdadeiros sentimentos em relação a mim. Ele fez um pequeno gesto com a cabeça, quase imperceptível, mas que entendi prontamente. Eu já poderia ir embora. Dissera ele que eu era o maior vagabundo, bêbado e preguiçoso que ele jamais encontrara em toda a vida e por isso eu não poderia continuar a carregar o nome da família. Daquele momento em diante, oficialmente, eu não era mais um membro do clã dos Wittezorek. Poderia passar no setor de recursos humanos  de alguma das empresas de meu irmão e pegar a indenização correspondente a esse pé-na-bunda fraternal.  Retirei-me com a cabeça erguida, enquanto todos os convivas, inclusive a pequena guria a qual eu emprestei o fogo, davam sonoras gargalhadas e apontavam com seus dedos acusatórios para mim. Meu irmão, estando ao centro dos seus asseclas, olhava-me com o olhar mais pétreo que eu já  vira estampado no rosto de um vivente e, com as mãos na cintura, não se movia e não demonstrava nenhuma emoção. Desci rapidamente os dois lances de escada que me separavam do meu mundo e, finalmente, chegando à rua, rumei novamente para o bar. Com grande alegria constatei que meu amigo ainda se encontrava lá, conversando com um bêbado e tentando mostrar ao borracho às pequenas sutilezas que lhe escapavam, em boa parte pela bebida, em generosa parte por sua deficitária, ignorante, insensível e preconceituosa condição humana. Sentei-me ao seu lado e pedi para o bêbado buscar um jornal para mim, em troca de mais uma dose de cachaça. Ficando a sós com meu grande amigo, esse sim, meu irmão verdadeiro no sentido mais amplo da palavra, relatei o ocorrido e disse-lhe que não me importava, apesar de todo o constrangimento, pelo contrário, achava melhor assim, agora eu estaria somente entre aqueles que realmente me compreendessem e fossem capazes de me dirigir outras palavras que não julgamentos, reprimendas, descomposturas e outras inconveniências sem limite, calcadas no ódio, na ignorância e na inveja. Ele me pediu então para ler um trecho de um livro que se encontrava aberto sobre a engordurada e sebosa mesa da birosca. Li o trecho recomendado por ele e fiquei sem entender, fugia completamente à minha parca capacidade de compreensão e análise. Confessei ruborizado minha ignorância, mas meu amigo, sempre paciente, disse-me que só os tolos compreendiam algo tendo tomado contato com o mistério apenas uma vez. Na realidade, eles julgavam compreender. Então, disse-me que eu deveria ler novamente e depois reler mais uma vez e quantas vezes fossem necessárias até que as cortinas se abrissem e revelassem o brilho oculto daquelas linhas. Essa seria apenas a segunda etapa: compreender a realidade na ficção, pois, segundo meu amigo, a ficção da realidade já era-me companheira há muito tempo.

 

Escrito por edu beckandroll às 20h51
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Domingo , 06 de Fevereiro de 2005


NOTÍCIAS DE UMA HISTÓRIA REPETIDA (5)

Escrito por el patife beck y roll às 23h31
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