Enquanto o Mundo Explode


Sexta-feira , 19 de Novembro de 2004


beckandroll perdeu seu cérebro em algum lugar entre Falluja e a Vila Tripa

Crise total no EOME! Falta de assunto, falta de dinheiro, falta de tempo, falta de inspiração e falta de maconha. Tempos difíceis para um blogueiro maldito, odiado e chato pracaralho. Fiquem com a historinha do gato Marmita, que já foi publicada algum dia nesse blog.

Marmita, o gato



Joares Juarez estava sentado próximo ao portão de sua casa, quando, ao longe, avistou um gato esquálido que mancava e cambaleava:

JOARES JUAREZ (parecendo uma galinha choca): PSIPSIPSIPSIPSIPSIPSI!!!!! Bichanoooo.... PSIPSIPSIPSIPSIPSI!!!!

GATO (como se pedisse socorro): Meauuuuuu!

O gato se aproximou mais e sentou ao lado de Joares Juarez, que o escutou atentamente:

GATO (deprimido): Sabe... Eu estou cansado. Passei minha vida inteira no colo de uma madame, sentindo seus peidos fétidos e tendo que lamber sua boceta. E tudo isso em nome de quê? De uma suposta estabilidade social? De ter a certeza de acordar diariamente e ter uma tigela de leite fresco e um naco de filé servido no prato? Pois eu cansei meu amigo, cansei da mediocridade de se viver previsivelmente, esperando a morte chegar. Agora, eu quero viver!

JOARES JUAREZ (totalmente transtornado, tipo uma pessoa que acabou de ver um gato falando): Tu falaaaaa?????

GATO (nostálgico): Olha, durante minha vida inteira não falei uma só palavra, em respeito aos meus donos. Afinal, o que eles fariam se, num belo dia, eu começasse a tagarelar pela casa? Certamente, a reação deles não seria das mais interessantes à minha integridade física. Mas, hoje cansei. Quero uma nova vida. Será que você pode me ajudar?

JOARES JUAREZ (pensativo, acendendo um baseado e tragando profundamente): Gato, qual é seu nome?

GATO (devorando com os olhos o baseado entre os dedos de JJ): Até hoje, meu nome foi Robespierre, odeio esse nome e não o usarei mais.

JOARES JUAREZ: (o cérebro maquinando, maquinando) O teu nome, a partir desse momento, será MARMITA.

MARMITA (entrando numas): Marmita?! Taí, gostei! É popular. E, além do mais, tem um forte caráter simbólico, de rompimento dos grilhões opressivos da burguesia e de um reencontro com as classes populares. A marmita é o símbolo do operário, é um contraponto perfeito às merdas insossas que se come nas altas rodas. EU ME CHAMO MARMITAAAAAAAA!!!!!!

Nesse momento começam alguns burburinhos por detrás das moitas e dentro da casa de JJ:


JOARES JUAREZ
(passando o beck para Marmita): Meu caro, eu também tô cansado. Mas eu tô cansado é de aguentar esse miserê, essa minha mulher gorda, chata e fedorenta; esses meus filhos que me odeiam. Eu não aguento mais essa vida de merda. Será que ainda tem vaga pra gato lá da madame?

MARMITA (agora, entendendo tudo): Provavelmente. Porque tu não vais até lá?

JOARES JUAREZ(eufórico): Mas é pra já, hahahahahahahaha!!!!!!!!

JJ sai correndo em direção ao palacete dos ex-donos de Robespierre, digo, Marmita. Chegando ao local, enfia-se por baixo da saia da madame, metendo o nariz em seu cu e lambendo sua boceta. A madame só consegue dizer: - Meu gatinho, meu gatinho...

Enquanto isso, Marmita fuma a baura até queimar os dedos. Os olhos vermelhos e a mente a mil. Entra em sua nova casa e começa a cagar lei:

MARMITA (estufando o peito e se achando o rei do proletariado): Ô mulher, vai fazer um chimarrão pra mim, e depois eu quero janta porque já tô na mó larica!!! E depois vamos para o quarto, porque eu tô necessitado, hehehehe...

MULHER GORDA, CHATA E FEDORENTA(tomando um banho checo): Ai, meu Jisuis!!!! As minha prece foru atendida! É hoje que eu tiro o atraso!

MARMITA(convencido): Prepare-se mulher, porque o meu pau é pequeno, mas é muuuuuuito brincalhão! E, afinal de contas, agora eu sou Marmita, o gato maconheiro, o gato proletário, o gato chinelão, o gato phodão, o gato bambambam, o gato vemcáqueeutambémquero, o gato...

E assim começou a história de Marmita, o gato maconheiro. Noutro dia tem mais.

 

Escrito por O marginal Beckandroll às 10h52
[ ] [ envie esta mensagem ]

Terça-feira , 09 de Novembro de 2004


Notícias de Uma História Repetida (4)

Na última rua daquela cidade rebelde, após a última parede ter sido derrubada, um soldado encontrou entre as ruínas uma pequena caderneta de bolso que acreditou tratar-se de uma simples agenda. Sentiu nojo e instintivamente jogou-a por cima do ombro esquerdo,  enquanto acendia um cigarro e passava por cima do cadáver estraçalhado de uma mulher. Absortamente, pensava na porcaria de comida que comia há vários meses e que teria que comer novamente dali a algumas horas. Suspirou ao pensar em lençóis limpos.

Aproximadamente 750 anos depois deste momento, historiadores encontraram, entre o espólio de um intelectual recentemente morto, um libreto com algumas anotações. Dentre elas, havia uma escrita em garranchos terríveis e datada de 9 de novembro de 2004. Foi reproduzida em capa de influente revista: “Por que tanta procura? Por que tantos traumas, se o que procuram sempre esteve tão próximo, o tempo todo dentro dos olhos? As armas de destruição em massa sois vós, meu filhos.” Os historiadores ganharam um grande prêmio e puderam passar as férias no Oriente Médio.

Escrito por O marginal Beckandroll às 22h21
[ ] [ envie esta mensagem ]

Carlos Maltz

Depois de Nós
(Carlos Maltz & Marcus Melgar)

Hoje os ventos do destino
começaram a soprar
nosso tempo de menino
foi ficando prá trás

Com a força de um moinho
que trabalha devagar
vai buscar o teu caminho
nunca olha para trás

Hoje o tempo voa
nas asas de um avião
leve sobrevoa os campos da destruição
é um mensageiro das almas
dos que virão
ao mundo
depois de nós

Hoje o céu está pesado
vem chegando o temporal
nuvens negras do passado
flor do nosso próprio mal

Cometemos o pecado
de não saber perdoar
sempre olhando para o mesmo lado
feito estátuas de sal

Hoje o tempo escorre 
dos dedos de nossa mão
e ele não devolve 
o tempo perdido em vão
é um mensageiros das almas
dos que virão ao mundo 
depois de nós

Meninos na beira da estrada 
escrevem mensagens
com lápis de luz
serão mensageiros divinos
com suas espadas douradas azuis 

Na terra, no alto dos montes
florestas do Norte
cidades do Sul
meninos avistam ao longe
aquela estrela 
do menino Jesus


Olha, como astrólogo o Carlos Maltz é um excelente compositor. Essa letra aí em riba é do som que o primeiro batera e membro fundador dos Engenheiros do Hawaii tocou com o alemão Gessinger no acústico dos caras. A música é demais e este reencontro foi memorável.

Escrito por O marginal Beckandroll às 16h36
[ ] [ envie esta mensagem ]

Segunda-feira , 08 de Novembro de 2004


NOTAS MALDITAS

Cultura estragada

E no último programa Top-Top da MTV cometeram uma barbaridade. O tema do dia eram os chapados da música. Lá pelas tantas enfiam entre Tim Maia, Janis Joplin e Bom Scott,  o vocalista do tal Libertines, banda que atualmente é queridinha da MTV. Detalhe: a banda está no Brasil. Como diz o seu Pi, isso cheira a "contratinhos" da MTV. Abram o olho. Vocalista dos Libertines entre os mais chapados da música é dose pra mamute! Só faltou eles dizerem (e disseram indiretamente) que essa era umas das “maiores bandas de rock de todos os tempos”


"Contratinhos" russos (não é novela)

Resolvido o mistério do vice-presidente José Alencar assumir o Ministério da Defesa: as negociações de compra dos novos caças (russos) supersônicos da FAB, em substituição aos antigos Mirage estão sendo conduzidas pelo vice-presidente, que inclusive esteve na Rússia em Outubro. E isso tudo envolve muitos interésses e somas astronômica$ R$$$$$700,000.000. O presidente russo, Vladimir Putin deverá vir ao Brasil no fim do mês. Especula-se que já estaria definida a preferência pelos caças russos e caberia a Alencar anunciar a decisão como chefe das Forças Armadas.


Falluja se phudeu, antes ela do que eu (dístico num saloon)

Enquanto o mundo explode e os ianques bombardeiam Falluja, uma pergunta não sai da mente: onde estão as armas de destruição em massa?


Democracia ou morte!

Outra perguntinha: Impor democracia é algo democrático?


Wanessa Camargo, poupe o Quintana

Porra, entrei aqui nessa bosta do UOL Blog para postar e me deparo com uma chamada pro blog da WC, Wanessa Camargo: “compartilha Mario Quintana, blábláblá”. Pensei, puta merda, aposto que é fria. Entrei lá naquela porcaria e dito e feito: Um texto ridículo, estilo auto-ajuda, e a china dizendo que tinha amado, que parecia ter sido escrito pra ela e blábláblá. Quintana revira-se no túmulo. E eu me arrependo de ter entrado no blog.


Isso que eu chamo de TV interessante

Matéria que estava sendo anunciada agora há pouco num programa de TV: “Como foram os maiores funerais da nossa época”.


1%

Não costumo falar sobre futebol, mas vale registrar que o Grêmio tá na segunda divisão. Hehehehe... COLORADOOOOO!!!!


Marca-texto: "Podem escrever aí: nós vamos ganhar com dois a três pontos de vantagem", ministro Tarso Genro antes do segundo turno em Porto Alegre. O PT perdeu a eleição.


Escrito por O marginal Beckandroll às 00h36
[ ] [ envie esta mensagem ]

Sexta-feira , 05 de Novembro de 2004


Tópicos Malditos

Democracia milionária

A democracia é conhecida como o “menos pior” dos sistemas. Fora de brincadeiras, estou acostumado a sentir que a democracia, tal qual conhecemos e é praticada hoje em dia, nada mais é do que um mero esboço do que realmente é a democracia no sentido pleno da palavra. Por exemplo, não consigo compreender as contas que não fecham nas campanhas eleitorais. Um candidato ao legislativo para eleger-se gasta na campanha centenas de milhares de reais e alguém que, por acaso, esteja concorrendo nas eleições majoritárias chega a torrar milhões de reais em sua campanha. Isso me deixa louco porque é uma simples questão de aritmética: os ganhos do candidato durante todo o mandato, muitas vezes, não são capazes de cobrir os gastos com a campanha.  Será que a matemática já não é mais a mesma ou se trata de um grave defeito da democracia a ser aperfeiçoado?


Acústico Engenheiros do Hawaii

Engenheiros do Hawaii é uma das bandas que mais curto. Se for pra ouvir pop, eu prefiro mil vezes ouvir Engenheiros do que Lulu Santos, por exemplo. O acústico dos caras foi excelente, apesar do repertório deixar de fora muita música boa e privilegiar músicas da nova safra que não são tão interessantes quanto as músicas compostas pela formação GLM, Gessinger, Licks & Maltz. Por falar em Maltz, Carlos Maltz participou do show, naquele que foi o momento alto do programa.  A música “Depois de nós”, de autoria do ex-batera daquela que foi a formação clássica do grupo empolgou pra caralho. Esse foi um dos momentos belos do acústco, que também teve a participação da filha de Humbertro, Clara, na música “Pose”, originalmente lançada naquele baita disco chamado GLM (ou azul).


As mentiras da arte

Mas “as mentiras da arte”, como diria o alemão Gessinger, também estiveram presentes no acústico.  Nas primeiras músicas Humberto está usando um efeito na voz, quase imperceptível, mas muito desagradável. Quando troca o violão pelo piano deixa de utilizar o efeito. A voz do cara sem efeitos é muito melhor. Ao, piano Gessinger toca Refrão de Bolero, numa versão surpreendente. A música já é ducaralho, nesta versão em que o alemão suprimiu a palavra “Ana”,  ganhou contornos de  modernidade.


Panelinhas

Humberto Gessinger é um tipo muito interessante, assim como Carlos Maltz, é um gaúcho típico, além de ser um tipo sensível e artístico. Quando não cai no ridículo das pavonices revela-se um intérprete e compositor brilhante. Não merece todo o desprezo que recebe da crítica. Talvez este ranço exista devido ao fato de Gessinger não fazer parte de “panelinhas” como afirma o próprio.


 Marca-texto: "Buenas e me espalho. Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho", um certo capitão Rodrigo, na obra prima de Erico Verissimo, O Tempo e o Vento.



Escrito por O marginal Beckandroll às 23h28
[ ] [ envie esta mensagem ]

Quarta-feira , 03 de Novembro de 2004


Deu no Observatório da Imprensa

MUNDO BLOG
Páginas seqüestradas!

Alexandre Cruz Almeida (*)

Semana passada, o mBlog, serviço americano de hospedagem de blogs, fechou as portas e levou consigo o conteúdo de todos os blogs ali abrigados. Depois, com uma inusitada cara-de-pau, mandaram e-mails para os usuários oferecendo devolver os arquivos perdidos em troca de 35 dólares.

Já seria ruim se tivessem sumido com todos os blogs, ponto. Seria mercenário, mas compreensível, se apagassem os blogs não-pagantes e se oferecessem para manter no ar só os pagantes. Mas, inacreditavelmente, a "taxa" não é nem para você manter seu blog no ar: é só mesmo um resgate para que recupere seus arquivos.

O mBlog nunca foi uma empresa séria. Uma amiga, blogueira experiente, desistiu de montar seu blog com eles ao reparar que não tinham nem Termos de Uso –algo, no mínimo, suspeito. Com a implosão do mBlog, vieram à tona muitos fatos interessantes.

O Movable Type (http://www.movabletype.org/) é o melhor programa de blogs do mercado. Parte dos Termos de Uso do programa – pois o MT, empresa séria, tem Termos de Uso – proíbe terminante seu uso para criação e hospedagem de blogs para terceiros. Ou seja, eu posso comprar o Movable Type, criar meu blog e hospedá-lo onde eu quiser, mas não posso criar uma empresa que hospede blogs de terceiros usando o Movable Type. E era exatamente isso que o mBlog fazia.

Chato e trabalhoso

O pessoal da Movable Type já estava lutando ativamente contra o mBlog na Justiça e recomendava a todos que tivessem blogs lá que fizessem back-up dos arquivos, pois bastava uma liminar bem-sucedida para o serviço sair do ar – como aprendemos todos com o sumiço do Imprensa Marrom [veja remissão abaixo].

Por fim, parece que o mBlog acabou morrendo mesmo foi por falta de dinheiro.

Se você era usuário deles, não se desespere: faça uma busca no Google por alguma expressão que apareça no seu blog e clique na opção "cachê", abaixo do resultado. Você será levado a um instantâneo do seu blog como era no momento em que foi indexado pelo Google pela última vez. Copie tudo e repita o procedimento para cada página. É chato e trabalhoso, mas é melhor que perder tudo ou dar 35 dólares para seqüestradores.

Lembre-se da determinação do Mel Gibson em O preço de um resgate: nunca negocie com essa gente.

Onde hospedar seu blog

Para os órfãos do mBlog e para os que estão começando, recomendo fortemente uma visita à página de hospedagem do Guia de Blog SobreSites (http://www.sobresites.com/blog/hospedagem.htm), onde há uma resenha comparada de todos os serviços disponíveis no mercado.

Lembre-se do seguinte: você vai investir muito tempo e amor em seu blog. Sua consideração principal deve ser segurança e confiabilidade. Melhor hospedar seu blog em uma empresa grande, que não vai sumir do dia para a noite, do que em algum aventureiro que prometa mundos e fundos. Blogueiros mais avançados preferem pagar por uma licença do Movable Type e hospedar seus blogs em domínio próprio. Estou pensando seriamente em fazer isso mas, por enquanto, ainda estou no Blogger (http://www.blogger.com), o melhor serviço gratuito.

Além de ser a empresa que criou os blogs, o Blogger foi recentemente comprado pelo Google, que está nadando em dinheiro, e não vai sumir e nem começar a cobrar tão cedo. Aliás, uma das primeiras coisas que o Google fez depois da compra foi extinguir o programa pago Blogger Pro, mandar um presente especial aos assinantes e liberar suas funcionalidades para todos os usuários. O Blogger ainda tem programa de comentários próprio (apesar de não funcionar muito bem) e já está hospedando imagens, por meio de uma parceria com o Hello.

Em compensação, os similares nacionais (Blig, do iG; Weblogger, do Terra; Blogger Brasil, da Globo.com e UOL Blog, do UOL) não oferecem quase nada para os usuários gratuitos e cobram por qualquer coisinha.

No UOL Blog, por exemplo, não-assinantes têm apenas 1Mb de espaço e, quando o blog atinge esse ínfimo limite, é simplesmente bloqueado. Você não tem nem como apagar imagens ou posts, para liberar espaço, e nem mesmo como publicar um último aviso que aquele blog acabou e agora está em outro lugar. Não há nada que você possa fazer para recuperar acesso ao seu blog – a não ser, claro, assinar o UOL.

Não caia nessas armadilhas. Vá no original. Chame aquele seu primo nerd para ajudá-lo no inglês. Só não monte seu blog no Blogger se tiver um motivo muito bom.

(*) Colunista de internet da Tribuna da Imprensa, editor do Guia de Blog SobreSites (http://www.sobresites.com/blog) e mantém o blog Liberal Libertário Libertino (http://www.liberallibertariolibertino.blogspot.com/); e-mail (cruzalmeida@sobresites.com)

Escrito por O marginal Beckandroll às 12h46
[ ] [ envie esta mensagem ]

Terça-feira , 02 de Novembro de 2004


Blogs e Amizades Virtuais

Esse papo de amizade virtual me dá sono, mas o que eu gostaria de falar é uma coisa surpreendente que observo em grande parte dos blogs. Muitos deles funcionam apenas como uma maneira de fazer novos amigos. Amigos virtuais é verdade, mas considerados amigos. Não cabe a mim decidir os rumos que cada criatura quer dar ao seu blog, no entanto, estou apenas manifestando a minha opinião.  Para mim os blogs são  publicações na internet, uma espécie de democratização da imprensa escrita. Oportunidade para milhares de pessoas que têm o hábito de escrever e encontram dificuldades para difundir suas idéias. Durante muito tempo na história da humanidade os fatos tiveram apenas seu registro oficial, e muitas vezes esses registros se concretizaram através de artigos publicados nos jornais . O advento dos blogs transforma essa realidade. Os blogs são aqueles instrumentos que vão captar o que há de mais escondido na sociedade, pequenos fatos cotidianos e cenas pitorescas, banais ou dramáticas que ocorrem todos os dias milhões de vezes mundo afora. É claro que tudo isso (e aí vem o grande mérito dos blogs) está associado via de regra ao humor descompromissado, à informalidade no modo de falar, à descontração na exposição de idéias, à coragem de tocar em temas espinhosos que muitas vezes passam despercebidos pela mídia convencional e etc. E esse é o fundamento principal dessas páginas tão simpáticas: fatos que, devido a pouca importância no contexto histórico, passariam despercebidos do processo de registro da História e são comentados, esculhambados, desconstruídos, louvados por gente que também passaria despercebida em termos de comunicação e mídia: o simples e mortal homem do povo.
Nesse sentido todos os blogs cumprem perfeitamente o papel maior que lhes é reservado. Eles registram, como um antigo lambe-lambe, um instantâneo do momento histórico, social, econômico, cultural que atravessa a humanidade. São fotografias nítidas de como vive a sociedade humana no momento de escrita do post., ao menos, é sempre bom lembrar,  aqueles incluídos socialmente, que têm acesso a computadores e internet.  Para mim  os blogs são apenas publicações, nada além disso. Jamais utilizei esse novo meio de comunicação para fazer amigos, conquistar garotas, ser popular ou querido. Apenas escrevo, espero que alguém leia, e reservo-me ao direito de ficar feliz quando alguém comenta a idéia exposta no texto. Fico mais feliz quando o comentário acrescenta novas nuances ao tema debatido. A essência dos blogs é essa, a crônica da vida. Naquele momento, naquele instante, por isso friso a imagem dos blogs como fotografias. Por outro lado, fico imaginando que rumos toma a humanidade. Acho estranho que pessoas prefiram passar horas em frente  ao computador, seja conquistando novas “amizades”, ou teclando com alguém que nunca viram e está a milhares de quilômetros de distância, quando nunca trocaram uma palavra com o vizinho ou jamais olharam pra cara do motorista do ônibus que pegam diariamente.  Não tenho nada contra as pessoas se conhecerem através da internet e a partir disso manterem grandes relacionamentos, acredito que seja algo natural em nosso tempo.  No entanto o ponto é outro. O mundo real está aí fora desde sempre e nada substitui o contato direto com as pessoas. Ouvir a voz, ver os olhos, sentir as mãos, descobrir cada detalhe do rosto. Muitas coisas podem ser sintetizadas pelo homem, mas a amizade e o amor não estão entre elas. Não tenho conhecimento de que esteja escrito em algum lugar que os blogs devam ser instrumentos de expansão do círculo de amizades. Minha concepção é totalmente diferente, conforme exposto nesse artigo. Possuo meus amigos pessoais e não troco 1% da amizade deles por nenhuma suposta amizade virtual. Quando quero encontrar novos amigos, sou conservador, vou ao boteco.

Escrito por O marginal Beckandroll às 00h18
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Homem


eXTReMe Tracker